Criador de publicações como as revistas “4 Rodas”, “Veja”, “Isto É” e “Carta Capital” (de cuja agência é o diretor) e dos diários “Jornal da Tarde” e “Jornal da República”, é impossível separá-lo do que existe de mais moderno e criativo na imprensa brasileira e mundial.
Combativo e combatido (por suas posições contrárias ao vai-da-valsa do sistema), Mino também é pintor internacionalmente reconhecido e romancista.
Fomos recebidos no ambiente de uma redação progressista, na sede da Carta Capital, na Alameda Santos, na capital paulista, onde Mino já nos esperava com um sorriso nos lábios (enquanto consumia uma cervejinha “pescoço-comprido”).
O papo aconteceu no fim da tarde de uma Quarta-feira, dia 26 de julho de 2006.
“Parla", Mino!
A produção do PROGRAMA PAINEL muito agradece:
- à Mara Lúcia da Silva e Ângela Oliveira –da Carta Capital;
- ao “Hulk” Gravatá, que nos levou até lá;
A transcrição ficou a cargo de Amy La Scala e meu. A revisão foi feita por mim, que também fiz a edição do áudio e as Notas Explicativas. As fotos são de Amy La Scala.
Boa diversão! Saúde & Paz,
Olavo Dáda.
PROGRAMA PAINEL
Bom, Mino, em nome de toda a audiência do PROGRAMA PAINEL eu quero agradecer-lhe por arrumar esse tempo na sua agenda pra bater um papo conosco. Posso te chamar de Mino, não?
MINO CARTA
Lógico! É o meu nome!
PAINEL
Mino, eu li, recentemente, que 90% dos que prestaram o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) não atingiram a nota mínima. E, salvo engano, em 2005, o então presidente da Associação Brasileira de Medicina disse que 85 % dos médicos formados não teriam condição de proferir um diagnóstico meramente ambulatorial.
Agora, tem esse PLC do Pastor Amarildo –e, sobre qual, você até já escreveu uma carta aberta ao Presidente Lula. A gente sabe dessa coisa da origem das escolas de comunicação, que remonta à ditadura... Como é que o Mino Carta diagnosticaria a imprensa brasileira no momento atual?
MINO
Bom, a imprensa brasileira, a mídia em geral, o jornalismo...
PAINEL
Isso, o jornalismo...
MINO
... É um jornalismo tão medíocre quanto o próprio país. Ele espelha a mediocridade reinante, não é? Eu recordo o Stanislaw Ponte Preta, que criou o “Festival de Besteiras que Assola o País”, e eu acho que se estivesse aqui agora ele estaria alto, já que, hoje em dia, o “Festival de Besteiras” atingiu os píncaros.
NOTAS:
01) A pergunta refere-se ao Projeto de Lei Complementar-PLC 00079/2004, de autoria do deputado federal Pastor Amarildo (PSC-TO), que eleva de 11 para 23 o número de atividades profissionais ligadas ao jornalismo em geral que deverão possuir o diploma de jornalismo e o registro no órgão competente (o que incluiria cartunistas e comentaristas entre outros)
Polêmico e mal redigido, segundo analistas, o projeto deverá ser vetado na íntegra pelo presidente Lula ainda em fins de julho de 2006, ou início de agosto;
02) Ao citar Stanislaw Ponte Preta, o Lalau, e o “Festival de Besteira que Assola o País-FEBEAPÁ”, Mino refere-se ao pseudônimo do genial jornalista, cronista, teatrólogo e compositor carioca Sérgio Porto (11. jan.1923 - 29.set.1968) que, além do FEBEAPÁ (coluna do jornal “Última Hora”, lançada em plena ditadura do golpe de 1964), foi criador das “Certinhas do Lalau”, “Tia Zulmira”, “Rosamundo” e “Primo Altamirando” entre outras. Sérgio/Stanislaw, certamente, foi um dos primeiros multimídias do mundo.
PAINEL
Mino, para determinados setores dessa imprensa a qual eu estou pedindo para você diagnosticar –e esse discurso é, obviamente, reproduzido por determinadas parcelas da sociedade-, o presidente Lula é um “bêbado, ignorante e ladrão”; o presidente Hugo Chávez é um “louco, bufão e fanfarrão”; o presidente Evo Morales é “cocaleiro”; o Nestor Kirchner seria um “’penguino’ arrogante” –qual você crê que seja o apelido que está reservado à presidente Michelle Bachelet, e como é que você avalia essa rodada de Córdoba, do Mercosul?
MINO
A rodada de Córdoba eu, sinceramente, não sei avaliar, por hora. Mas, me parece que a intenção brasileira é muito boa e acredito que se pudesse ser realizada seria ótimo... Tenho dúvidas a respeito, infelizmente.
Quanto às xingações que estão aí, acho... Acho que elas correspondem exatamente à postura da elite brasileira. A elite brasileira não quer mexer em coisa alguma e tudo aquilo que, na opinião dela, representa algum risco a perfilar-se no horizonte a leva imediatamente a agir e a tentar, como de hábito, obnubilar as consciências e os espíritos... É sempre a mesma coisa.
Devo dizer que, de um certo ponto de vista, eu estou bastante decepcionado com o governo do presidente Lula, não é? Eu teria preferido um governo mais enérgico e mais disposto a correr o risco de ser xingado mais agressivamente, mais violentamente, mais profundamente.
PAINEL
Mino, parece-me... E, obviamente, eu não poderia deixar de lhe perguntar isso –que é mestre no assunto... Parece, nessa mesma parcela da imprensa e nessa mesma parcela da sociedade, haver uma tendência a... Tudo o que acontece de bom no atual governo –e são algumas coisas e, evidentemente, não todas- é creditado a governos passados.
Até na Petrobrás, a tal propalada auto-suficiência em petróleo teria mais a ver com o Monteiro Lobato do que com os esforços do governo atual ou governos passados; e, também, tudo o que acontece de ruim é creditado à atual gestão.
Você concorda que isso esteja acontecendo? E... Enfim, todo mundo, hoje, virou comentarista econômico... Haveria um lado positivo nisso, de democratização da informação nesse sentido?
MINO
Em grande parte, eu acredito que esteja havendo uma tentativa, efetivamente, de denegrir qualquer resultado positivo desse governo -isso está mais do que claro. Não acho que Monteiro Lobato seja uma figura secundária, tampouco acho que a campanha do “O Petróleo É Nosso” também o seja dessa forma.
Agora, aconteceu no governo Lula, não é? A tendência dessa elite que manipula a mídia, que domina a mídia e desencadeia os sabujos da mídia, esta, evidentemente, se esmera na tentativa de mostrar que governos anteriores, sobretudo o do príncipe dos sociólogos, Fernando Henrique Cardoso, foram gloriosos para o país.
Quando é exatamente o contrário: o governo Fernando Henrique foi, de longe, o pior da história do Brasil. Agora, deu-se essa auto-suficiência debaixo do... À sobra do governo Lula, sem dúvida. Evidentemente, houve todo um esforço precedente, é claro. Nem sempre um esforço bem conduzido.
Houve um tempo em que o Brasil importava petróleo e o senhor Shigeaki Ueki: tinha a participação sobre cada barril importado...
NOTA:
Shigeaki Ueki foi nomeado ministro das Minas e Energia, pelo general-presidente Ernesto Geisel, em 15 de março de 1974 e permaneceu no cargo até o último dia daquele governo, em 1979.
PAINEL
... Ministro das Minas e Energia à época...
MINO
Sim! Ele mandou na Petrobrás por muito tempo.
PAINEL
Indo nessa linha aí, e até parece uma coisa meio análoga a 1985, na eleição municipal aqui de São Paulo , nesse momento existe um afã de incensar a candidatura da senadora Heloísa Helena; o triunvirato Dirceu/Gushiken/Palocci foi abatido em pleno vôo... É... Obviamente, eu acho que você acredita que isso faça parte de uma estratégia, mas o que você teria a dizer para as pessoas que... E, se não me engano, foi o Francis Fukuyama, com aquele negócio de “Fim da História...” O que você teria a dizer sobre isso, a idéia de que Direita e Esquerda não mais existem?
NOTAS:
01) A pergunta faz referência à eleição municipal de São Paulo, em 1985, quando não havia segundo turno. O candidato Luiz Suplicy, do PT, teve pouco mais de 400 mil votos. Fernando Henrique Cardoso (em tão no PMDB) perdeu a eleição para Jânio Quadros (PTB) por pouco mais de 100 mil votos;
02) A pergunta também faz referência a Francis Fukuyama, intelectual e arauto das correntes neoconservadoras norte-americanas e autor de “O Fim da História e Último Homem” (1992), onde detectava na Revolução portuguesa de 25 de abril de 1974 o sintoma da queda dos regimes comunistas do Leste europeu e o fim da dicotomia entre Esquerda e Direita.
MINO
Bom, depende do grau de desenvolvimento de cada país, não é? Eu acho que, naquilo que nós teimamos em chamar de primeiro-mundo –e eu não sei se essa expressão cabe-, é lógico que essa divisão parece superada, pelo menos de alguns pontos de vista.
Porque o tempo em que o proletariado representava a bucha de canhão da Esquerda, acabou! E... São países onde a renda per capta se mede em dólares e euros. Muitos dólares e muitos euros. Nós que somos extremamente pobres, embora vivamos uma situação de desnível social monstruoso; pouco ricos e milhões, dezenas de milhões de pobres, considerando isso, nós talvez ainda estejamos atravessando uma fase mais ou menos medieval.
Então, eu acho que a idéia de que possa existir no Brasil uma Esquerda, pelo menos um movimento que possa pensar efetivamente, consistentemente não somente na liberdade, mas, também, na igualdade, parece-me absolutamente plausível. Plausível e plenamente justificável.
O que sempre me espanta é a resignação do povo brasileiro. E nós estamos tendo PCC. PCC é uma forma de... De “revolução” doida, totalmente despida de qualquer ideologia, mas que exprime o grau de atraso desse país.
Não existe em nenhum lugar do mundo um PCC, a não ser no Brasil. Isso é que nos deveria levar a meditar um pouco em torno das reais condições do país e se, efetivamente, essa dicotomia clássica entre Esquerda e Direita, no país, valeria ainda ser considerada.
PAINEL
Mino, o Guarnieri, querido amigo de minha família, foi o nosso primeiro entrevistado, em fevereiro (de 2006), e, obviamente, tratam-se de um milanês e um genovês, a gente ia bater um papo com você sobre ele - e, agora, mais ainda.
A gente queria que você traçasse um paralelo entre essas duas carreiras que vêm aportar no Brasil. E, na entrevista que o “Guernica” nos concedeu, lá na casa dele, quando eu perguntei sobre o “mar de lama”, essa coisa lacerdista que tá aí brotando de novo, ele virou-se pra mim e falou:
- Meu filho, lama? Que lama? Lama é a burguesia.
O que você poderia falar pra nós, aí, rapidamente, sobre o Guarnieri e sobre essa afirmação dele?
NOTAS:
01) Mino Carta nasceu em Gênova, Itália, entre 6 de setembro de 1933 e 6 de fevereiro de 1934 (a data correta ainda é uma incógnita). Embora registrado no dia 08, Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri nasceu em 06 de agosto 1934, em Milão, Itália, e faleceu em São Paulo, em 22 de julho de 2006;
02) O conceito do “mar de lama” foi criado por Carlos Lacerda, político e jornalista conservador, no auge de sua campanha de oposição ao governo do presidente Getúlio Vargas, em 1954. Analistas consideram que esta campanha teria sido um dos muitos fatores que, efetivamente, levaram Vargas a cometer suicídio;
03) A entrevista de Guarnieri pode ser acessada aqui mesmo, na página do PROGRAMA PAINEL, na seção Entrevistas do menu.
MINO
Guarnieri foi um teatrólogo e um ator de grande talento, não é? E era, efetivamente, um homem de Esquerda. Acreditava na Esquerda, acreditava na sobrevida da idéia, pelo menos em países como o Brasil. Não tenho dúvidas quanto a isso.
Agrada-me muito o fato de que ele fosse meu conterrâneo, e eu tinha muito apreço pr ele. Eu acompanhei a carreira dele desde os tempos de “Eles Não Usam Black-Tie” -que foi em 58, no ARENA.
Eu, por acaso, eu tinha ido para Itália, trabalhar lá, em 1956, mas, em 58, eu passei dois meses no Brasil e, lá pelas tantas, fui assistir à peça do Guarnieri, no ARENA. E lembro-me muito bem dele, foi há muito tempo.
Agora, você falava da...
PAINEL
... Sobre a questão da “lama”... E, segundo Guarnieri, "o presidente Lula está fazendo o jogo certo"...
MINO
...Isso, “lama”... Eu estou decepcionado com o Lula porque eu acho que ele agiu com muita brandura em relação a tantos assuntos, e o governo dele praticou uma política econômica que realmente não contribui para a igualdade, não é? Não contribui para diminuir esse abismo que separa ricos e pobres nesse país, que é muito uma mistura de... Aquela idéia de que era um pouco Bélgica, um pouco...
PAINEL
Índia... A Belíndia...
MINO
Isso, Bélgica e Índia, a Belíndia! Um pouco Bélgica, um pouco Índia. Mas, de qualquer maneira, me parece mais uma mistura de Haiti com Bahein. É mais ou menos por aí, tem o Emires e tem a plebe rude e ignara, abandonada ao seu destino... É isso.
PAINEL
Mino, a Soninha Francine, vereadora aqui de São Paulo, foi nossa entrevistada da semana passada, e conversando sobre posturas editoriais, ela, em tom elogioso –e, até, nós concordamos nisso- lembrou que na eleição de 2002, a eleição passada, a Carta tomou uma postura editorial de mostrar nitidamente pros seus leitores, pra quem quer que fosse, de que lado estava. Por que você acredita que isso não aconteça mais no Brasil se é uma coisa comum até na imprensa dos Estados Unidos?
MINO
Na imprensa em geral acontece. Há órgãos que, efetivamente, não precisam declinar as suas preferências porque a postura deles é tão evidente que as coisas são claras de saída. Agora, devo dizer que o (jornal) Estado de São Paulo, em 2002, definiu-se claramente a favor do Serra. Enquanto, digamos, a Folha (de São Paulo), ou o Globo -que estavam com o Serra- fingiam a eqüidistância.
Um bando de hipócritas, né? Essa é uma característica da elite brasileira: ela é extremamente hipócrita. Ela fala em democracia, mas querem democracia sem povo, eles não querem o povo... Não querem! Querem é que o povo siga em procissão, e isso é a Idade Média...
PAINEL
Lampedusa?
MINO
Isso! Também, também... Lampedusa, claro!
NOTA:
A pergunta e a resposta fazem referência ao escritor italiano Tomaso di Lampedusa (Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Palermo, 23 de dezembro 1896 - Roma, 23 de julho 1957) e a seu último romance, “Il Gattopardo” (O Leopardo), que aborda a decadência da aristocracia siciliana durante o Risorgimento (grosso modo, movimento de unificação italiana no século XIX). No final do livro, o personagem principal, Don Frabizio Salinas, um aristocrata, encerra com a frase: “Às vezes é preciso mudar, para que tudo permaneça como está” (cito de memória).
Em 1963, o romance teve uma bela versão cinematográfica dirigida pelo cineasta (de família aristocrática, mas comunista) Luchino Visconti, ganhadora da Palma de Ouro de Cannes. No elenco principal estão nomes com Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon.
PAINEL
Mino, na semana passada, bati um papo muito rápido por telefone com o Elio Gaspari, e perguntei a ele a respeito daquela frase “...quem gosta de miséria é intelectual” que, segundo o livro do Conti, que trabalhou contigo, “Notícias do Planalto”...
NOTA:
A pergunta faz referência ao livro “Notícias do Planalto” (1999), de Mário Sérgio Conti. A publicação, um catatau de 719 páginas, teve várias de suas afirmações contestadas. Uma delas seria a de que a frase “povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual” não teria sido autoria do carnavalesco Joãosinho Trinta, e sim do jornalista Elio Gaspari (da Folha de S. Paulo).
MINO
Não!
PAINEL
Não trabalhou contigo?
MINO
Não... Graças a Deus! Não trabalhou.
PAINEL
(risos)
Ah, tá bom, desculpe, eu já li coisas que você escreveu sobre o livro, mas achava que... Bom, ele disse que é mentira e que aquela frase seria do Elio Gaspari e não do Joãosinho Trinta, e o Gaspari disse que é mentira do Conti, e que o Zuenir (Ventura) é quem poderia me explicar o que realmente aconteceu. Entre as várias referências no livro feitas a você, tem aquela, com a qual eu concordo, que diz que “só 20% das mulheres do mundo poderiam usar sandália aberta, porque são as que têm os pés bonitos”...
(risos)
Isso é invenção do Conti também?, ou...
MINO CARTA
Ah, mas o Conti prima por uma visão bastante peculiar das histórias do mundo, né? O livro dele é um desastre, é a prova provada de quanto o nosso jornalismo está uma porcaria...
PAINEL
Mino, o presidente Fidel Castro, segundo consta, quando perguntado porque não usava colete à prova de balas, disse: “não preciso, pois meu colete é moral...”. E eu sei, já vi numa entrevista sua, há um tempo, acho que no Jô Soares, há alguns anos, quando você descreve que o terno azul marinho com a gravata prateada seria o “rei dos ternos”. Quem tem estofo moral, no Brasil, hoje, para utilizar um “rei dos ternos”, em sua opinião?
MINO
(gargalhadas)
Boa pergunta... Boa pergunta. É uma pergunta terrível. Eu não saberia responder, assim, de chofre, de imediato. Digamos... Eu acho que o Lula é uma pessoa honesta, límpida... Às vezes, ele não escolhe bem os amigos, mas acho que o Lula é uma pessoa correta, corretíssima, né?
Sei lá... O Plínio de Arruda Sampaio (ex-deputado federal do PT, hoje no P-SOL), não tenho a menor dúvida de que se trata de uma pessoa corretíssima. Muitos jornalistas são pessoas corretíssimas, e há muita gente que, felizmente, mantém a correção. Mas, devemos reconhecer que o Brasil vive um momento frágil, mesmo porque criou-se uma situação pela qual as pessoas acham que o crime compensa.
Basta dizer que essa novela “Belíssima”, eu li essa informação, e ninguém a desmentiu, que foi feita uma pesquisa, pela Globo, para agradar o seu público quanto aquele que deveria ser o encerramento, o “happy-ending” da novela, verificamos que a criminosa, a senhora que matou três pessoas, fez coisa do arco da velha, essa senhora acaba em Paris, num apartamento belíssimo, uma senhora idosa, mas ainda goza da companhia de um garanhão -e um garanhão belíssimo, poderoso e tal... São coisas muito sintomáticas de um país perdido, na é?
PAINEL
...Parece-me que foi de 63% a aprovação mostrada pela pesquisa...
Mino, você tem um compromisso, tenho mais duas rápidas pra fazer: já li declarações suas a respeito do MST... Como que o Mino Carta avalia aquela dissidência do MST, o MSLT, no caso da invasão da Câmara Federal?
MINO
Bem, eu não gostei daquilo, e eu sei que aquilo é obra muito mais de, digamos assim, fascistas infiltrados no MST. E, em função de ter num governo o fundador do Partido dos Trabalhadores, um grande líder sindical e tal, eu acho que o MST entrou numa fase de baixa. Ele ficou um pouco “low-profile” nesse período.
Mas, realmente, é um dos poucos movimentos que, talvez o único, se bate por um movimento, que se bate por uma idéia, luta por uma idéia de igualdade efetiva num país onde 1% da população detêm 50% das terras agriculturáveis.
Com o perdão pela palavra complicada (risos).
PAINEL
(risos)
Mino, você tem um compromisso e eu vou encerrar pedindo perdão, mais uma vez, pelo meu péssimo italiano, mas “Mercucio Parla per Mino, o no?”
NOTA:
Mercucio Parla é o protagonista de dois romances (em tese autobiográficos) de autoria de Mino Carta: “O Castelo de Âmbar” (2000) e “A Sombra do Silêncio” (2004) –seria um alter ego do autor.
MINO
Claro, ele fala por mim, pois é um alter-ego poético.
PAINEL
“Parla per te”...
MINO
“Si!”, claro “che parla”! Ele fala por mim.
PAINEL
Mino, em nome de toda a audiência e de toda a equipe do PROGRAMA PAINEL, queremos agradecer o teu tempo e bom compromisso.