Entrevista
Entrevistado: Guarnieri
Entrevistador: Olavo Neto & Camila Oliveira
Data: 04-04-2006

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A entrevista cuja transcrição vocês lerão a seguir, foi realizada no dia 24 de fevereiro de 2006, por volta das 15 horas, na casa de Gianfrancesco Guarnieri, na Serra da Cantareira, em Mairiporã, a poucos quilômetros da Capital Paulista. Mesmo convalescendo, o genial Guarnieri nos recebeu e deu um show de bola, conforme vocês poderão constatar. Agradecemos à Vanya Sant´Anna Guarnieri, sua mulher, à Mara, sua assessora e ao Nílson, que nos levou até lá.


Fotos de Camila Oliveira.


 Colaborou: Amy La Scala.


Boa diversão!


PAINEL


Boa tarde, Gianfrancesco Sigfredo Benedeto Martinenghi de Guarnieri! Então, umas das primeiras coisas que a gente quer abordar, você como filhos de músicos, de maestros, de artistas, por acaso -e essa é uma curiosidade que eu tenho já há alguns anos- o Sigfredo deve ter alguma coisa a ver com a ópera, com o herói da ópera, ou não? É baseado lá nos Nibelungos, ou você acha que teus pais não pensaram nisso?


GUARNIERI


Não é... É... Foi um ritual, é... De batismo... Então constava o Sigfredo no meio...Siegfried...


PAINEL


Eu pensei que tivesse alguma coisa a ver com a ópera...


GUARNIERI


Não, tem a ver sim...


PAINEL


Deve ter alguma referência...


GUARNIERI


Tem a ver...


PAINEL


Bom, mesmo você sendo milanês -e isso é também outra curiosidade- de nascimento, o de Guarnieri remete a essa tradição italiana de acrescentar o nome da cidade ou vila de origem ao nome da família, no caso da tua família, isso corresponde?


GUARNIERI


É o nome do meu avô, sabe?...


PAINEL


Você passou a sua infância aqui no Brasil, né? Você veio pra cá com 3 anos, não é isso?


GUARNIERI


Com 2 anos, 2 anos e meio.


PAINEL


Fazendo um exercício de imaginação, como você acha que seria o Gianfrancesco tendo passado a infância na Itália, por exemplo, em comparação ao brasileiro Guarnieri?


GUARNIERI


Eu acho que não muda nada, eu acho que eu sou fundamentalmente brasileiro, não vou lembrar...


PAINEL


Criança é criança em qualquer lugar...


GUARNIERI


Claro! Isso não tem nada de tão específico, eu me integrei , imediatamente, brasileirinho...


PAINEL


Com 2 aninhos de idade né...


GUARNIERI


Pois é...


PAINEL


Acho que ela quer saber, se você tivesse vivido na Itália, talvez, até como artista, tua vida tivesse sido mais tranqüila, ou não?...


GUARNIERI


É...O mundo ia ser diferente...


PAINEL


Aí, você passou a sua infância no Rio de Janeiro, e quando você fez 18 anos, mais ou menos nessa época, você se mudou para São Paulo. O que te levou a ir para São Paulo e não ficar no Rio?


GUARNIERI


Foi a necessidade de ficar no Rio porque eu achei que devia permanecer no Rio, mas depois não deu certo, e eu não agüentava, entende? Era uma coisa bem difícil pra me manter...


PAINEL


A cena teatral, Guarnieri, era mais intensa em São Paulo nessa época? O teatro em São Paulo era mais intenso que no Rio de Janeiro nessa época quando você veio? Talvez tenha sido por isso que você tenha vindo a São Paulo?


GUARNIERI


Eu era presidente da Associação Metropolitana dos Estudantes, né? Estava bem enturmado, né?... Agora...Isso foi antes...


PAINEL


A Camila levantou uma coisa aqui, Guarnieri, que, ironicamente, não sei se você já pensou nisso... Teus pais fugiram da repressão fascista e vieram pro Brasil, e, anos depois, você viria a ser uma das principais vítimas da repressão do golpe de 1964. Você, obviamente, já deve ter parado pra pensar, fazer um paralelo entre as duas situações...


GUARNIERI


É... Isso foi antes...Eu militava mesmo, pra valer, isso desde os 13, 14 anos que eu militava, né?...


PAINEL


O teu envolvimento sempre foi desde cedo com o Partidão (PCB-Partido Comunista Brasileiro), Guarnieri, ou não?


GUARNIERI


É, foi desde o início, sim. Mas eu era mais um cara, um cara que fazia traduções pro jornal...


PAINEL


Traduzia uns Antonio Gramsci? “Intelectual Orgânico”, heim?


GUARNIERI


É...


PAINEL


E seus pais, eles chegaram a mudar de país pra poder continuar exercendo a cultura, porque eles não queriam abandonar suas profissões. Seu pai era maestro e tudo mais, e eles não abandonaram nem a ideologia nem a vocação. E qual seria o seu limite pela arte? Você chegaria a um extremo desse tipo?


GUARNIERI


Bom, mas eu não...


PAINEL


Eu tô dizendo assim, hoje em dia, você mais velho, buscando o exemplo dos seus pais se você faria um exemplo desses, por exemplo, na época do golpe?


GUARNIERI


Eu era atuante mesmo sabe, era atuante, mesmo! Atuante muito em teatro... Nós criamos o teatro brasileiro, porra! O negócio é...


PAINEL


Foi o enfrentamento que você usou contra a ditadura? A resposta foi com a Arte, não é verdade? Com Arena?


GUARNIERI


É... Era por aí que a gente ía... Mas era a Arte, né? E eu ainda era menor de idade...


PAINEL


 E agora em 2006, agora esse ano você celebra 50 anos da criação do “Eles Não Usam Black Tie” (a premiadíssima peça de teatro), tem alguma comemoração em vista, porque é uma data importante, quebrou barreiras, você tava jovem quando lançou a peça... Você parou para pensar nisso? Meio século de “Eles Não Usam Black Tie”? Você escreveu o texto em 56 não é isso? Montou em 58... Não tem nenhuma comemoração prevista para celebrar esses 50 anos?


GUARNIERI


Deve ter...Já foi feito


PAINEL


Bom, tão celebrando todo ano, né?... Realmente, volta e meia remontam...


GUARNIERI


Deve ter...


PAINEL Quais eram seus sentimentos em relação à peça quando você a escreveu, o que você esperava? O que você achou da repercussão que ela teve, como é que foi isso na época?


GUARNIERI


Foi uma repercussão excelente, quer dizer, o público, os expectadores pegaram totalmente o que essa peça significava, a razão dela. As pessoas acompanharam, né? Isso já, eu tava com 18 anos...


PAINEL


Nós lemos, Guarnieri, sobre a Xica Maluca, que foi uma personagem da sua infância, não é verdade?, que em tese, teria sido um dos propulsores pra você ter esse trabalho de denúncia, da exclusão e da questão da desigualdade social. Em cima disso, até a Camila faz uma pergunta aqui: De certa maneira, a ditadura foi umas das coisas que impulsionou vocês a combaterem esse tipo de situação, de desigualdade social, e se a gente pode ver pelos números: as Xicas Malucas só vêm proliferando não é verdade, nesse tempo todo. Por que você acha que não existe uma cena cultural tão enfática, e de uma qualidade tão alta como havia no final da década de 50, no início da década de 60, após o golpe? Tem a ver com questão cultural do país, com o sistema educacional? Porque se a miséria prosperou, de certa maneira, o combate arrefeceu, ou não?


 GUARNIERI


Não. Eu acho que aí, tudo eclodiu...E tudo resultava num determinado ponto. Esse ponto era fundamental.


PAINEL


O inimigo era claro... Na verdade hoje em dia está meio difuso porque a ditadura era a ditadura que a gente combatia. Hoje em dia são vários inimigos que tão pulverizados por aí. Talvez isto cause esse tipo de estupefação. Você acredita nisso ou não?


GUARNIERI


Não. A gente lutava, o problema era esse.


PAINEL


Por que você acha que não têm esse movimento hoje em dia, das pessoas reivindicarem ou usarem mesmo a cultura como uma força de expressão, por que não tem com mais freqüência?


GUARNIERI


Porque o pessoal faz muita besteira sem dúvida nenhuma. Isto eu estou convencido, é terrível. É tanta bobajada...


PAINEL


Vianninha, Lélia querida, não posso deixar de falar do Vlado, até quero agradecer assim aquele texto que você e a Vânia enviaram por conta dos 25 anos, Zé Renato, Rangel, Leon, Edu Lobo, Toquinho, Paulo José, Dina Sfat, Marília Medalha, Carlinhos Lira, Juca de Oliveira, todos os seus camaradas de armas... Você quer falar de algum deles em especial, brevemente, algum que você guarda com um carinho maior? Ou todo mundo faz parte do teu exército brancaleônico?


GUARNIERI


Ahhh...Não era brancaleônico... Era uma coisa séria, uma luta muito séria. Uma coisa muito positiva, né?


PAINEL


Não era uma aventura...


GUARNIERI


Não! Era coisa muito séria. Eu encaro isso sempre de uma forma muito positiva...


PAINEL


O saldo é maravilhoso, a herança, a produção de vocês é fantástica até hoje não é verdade?, é um norte, as pessoas que fazem teatro de maneira séria, correta, todo mundo usa vocês como referência, então é missão comprida mesmo...


GUARNIERI


E tem uma questão de ideologia, de saber o que se quer, descobrir quais são os caminhos pra avançar em determinados momentos, muito fundamentais. E isso, foram anos de trabalho.


PAINEL


De trabalho intelectual, de se preparar, de estudar.


GUARNIERI


É, a gente tava ali mandando ver...


PAINEL


Você acredita nessa bobagem do Fukuyama, do fim da história, do final desses conceitos de esquerda e direita, enfim, que o capitalismo quer fazer prevalecer... Creio que isso seja uma bobagem, em minha opinião, na sua também, aqueles valores ainda estão presentes?...


GUARNIERI


Ah sim, a gente nunca abriu mão desses valores e era e é diferente. A gente se colocava lá de uma forma diferente e querendo se valer de um trabalho muito sério e muito claro, também, né verdade?


 PAINEL


Os objetivos eram todos bem definidos, o pessoal conhecia, ninguém tava lá de gaiato.


GUARNIERI


Não... É...


PAINEL


Você acredita que tem muito aventureiro, ou então que entra de gaiato, não tem uma proposta firme, determinada, um objetivo claro...?


GUARNIERI


É, eu acho que sim. Acho que não tem nada a ver o que se pensa por aí. Nada a ver! Terrível, porque...Bobagem é bobagem. Desculpe, mas eu acho que é...


PAINEL


Meu pai tem a mesma opinião que você... Falando Lênin né, a esquerda infantil está ditando as cartas no caso. Se é que é a esquerda mesmo que está ditando as cartas, hoje em termos de governo federal. Aí, em cima disso, você acha que esses quadros de PT, PSDB que são os únicos que, em tese, poderiam resolver os problemas do nosso país... Você acha que eles abdicariam de projetos pessoais em nome de um projeto de Nação, de uma coisa de se pensar num país mesmo pra frente, ou você não vê a menor chance de isso acontecer?


GUARNIERI


Não, eu vejo chance sim...


PAINEL


De esse pessoal sentar e conversar? Aí não tem que fazer aliança com Jéferson, não tem que fazer aliança com PFL, vamos nós lá conversar...


GUARNIERI


Eu creio sim, nessa possibilidade sim. Mas é meio complicadinho.


PAINEL


Você vê isso num futuro próximo? Tem muita reunião pra fazer, né? Ou você acredita numa terceira via?...


GUARNIERI


Eu acho extremamente burocrático, extremamente burocrático...Então, porra...


PAINEL


E pra artista a burocracia é a morte...


GUARNIERI


Ah mas num dá...


PAINEL


A inimiga da beleza e a inimiga da inteligência. Você acredita numa terceira via, Guarnieri, alguma coisa, talvez o Roberto Freire, alguma coisa que fuja desse eixo tucano-petista??


GUARNIERI


Ah, eu acredito mais no Lula...


PAINEL


Agora falando do pessoal de ter novos exemplos e tudo mais, na sua época o Teatro de Arena foi muito importante, foi onde você estreou profissionalmente como autor e como ator. O que você acha, existe mais espaço hoje em dia para proliferar novos personagens da cultura, novos autores, novas companhias?


GUARNIERI


Olha, é o seguinte: através desses anos, uma vivência grande nesse período de alguns anos... é... mas... é...


PAINEL


O ministro Gilberto Gil, nosso ministro da Cultura, da nossa área, você tem alguma coisa pra elogiar ou para criticar o ministro Gilberto Gil?


GUARNIERI


Ah tenho não, ele é um bruta de um poeta, um bruta de um músico, e ele torce por isso...


PAINEL


Esse momento político atual que nós estamos vivendo, essa crise, você sempre foi um otimista, sempre as reminiscências que eu tenho de minha infância, encontros do meu pai com você e tudo, lembro sempre de vocês sorrindo muito, sempre falando do futuro com o peito muito aberto, com esperança. Esse momento atual, você acha que nós vamos sair melhor, ou não, ou essa crise toda nós vamos atolar de vez? Você enxerga alguma saída interessante, menos lama? Ou a tua visão é pessimista?


GUARNIERI


Eu não encaro como lama. Lama é a burguesia!...Lama é isso que tá aí...


PAINEL


Aliás, Guarnieri, tem um verso lindo do Cazuza que diz: “Enquanto houver burguesia não vai haver poesia” e eles gostam do osso, né?, a burguesia, não largam de jeito nenhum. Tem muita incompetência da nossa parte? Seja dos comunistas ou da esquerda em geral?


GUARNIERI


 Sempre vai cair nessa né, mas acontece o seguinte, os caras também, tem uns caras também que são ponta firme. Mas o papel que o Lula vem desenvolvendo agora, pelo amor de deus... Eles tão agindo certo, tão agindo certo e dane-se entende? O negócio é dane-se mesmo...


PAINEL


Essa é a máquina? Esse é o jogo?


GUARNIEIRI


É...Esse é o jogão, lá!...E, aí, tem uns caras que ficam assim, ó... (nota do Painel: neste ponto da entrevista, Guarnieri faz, por várias e seguidas vezes, mímicas de quem está com expressão de asco, de nojo...Foi divertidíssimo)


PAINEL


Saindo um pouco da história política, e da militância, você tem uma história muito próxima com a música, tanto dos seus pais, como você também já escreveu muita letra de música. Que papel a música exerce na sua vida?


GUARNIERI


 Fundamental. A expressão da música ela é natural, principalmente pegando uma temática, vamos supor, que revela e reitera, né?...


PAINEL


Inclusive músicas suas chegaram a ir para festivais de música brasileira, chegaram a ganhar prêmios, você acha que foi tão importante quanto o teatro na sua vida?


 GUARNIERI


Foi fundamental. Teatro foi fundamental. Pra mim foi. Com 18 anos eu tava formado, entende?


PAINEL


Guarnieri, teu primeiro deslumbramento foi com o teatro? Ou foi com a música por essa questão familiar? Quando você tomou aquele tapa assim e ficou: “é isso!”. Foi o teatro que te causou isso ou já era uma coisa de formação familiar mesmo? A questão de erudição em casa, de acesso? Tem um marco assim pra você? Quando você falou: “porra eu sou um artista, quero fazer isso, isso me impactou, é por aí que eu vou...”, ou foi uma coisa assim, natural, que não chegou a te dar esse baque, de te pressionar. Foi indo e quando você viu já tava se expressando através da Arte mesmo?


GUARNIERI


É foi mais por aí, né?... Foi mais por aí... Quer dizer teve um saltozinho... Esse saltozinho que eu digo...


PAINEL


 Seria o Black Tie? O Black Tie que foi esse salto?


GUARNIERI


Não foi salto... Foi!


PAINEL


 Quando você botou o ponto final lá na última página do Black Tie você falou: “porra é aqui...” e salvou o Arena inclusive!


 GUARNIERI


Poxa... Foi... Eu tinha certeza de que era. O que se fala do Black Tie é como uma coisa diferente... Não é...O Black Tie foi...


PAINEL


Sabe que recentemente, eu revi com pessoal da geração da minha filha que tem 14 anos, a cópia do Black Tie. Pô...O pessoal chorando, emocionado, deve ser maravilhoso para um artista como você, ver que a sua mensagem é perene... Por um lado, ruim, porque é sinal que a sociedade mundial, brasileira, especificamente não evoluiu, nós ainda temos aqueles caras lá, o pelego, o subúrbio, periferia, mas por outro lado, você fala acertei mesmo, estou emocionando gerações de cidadãos pelo mundo, com uma coisa que eu escrevi, que eu atuei, é bacana isso, né?, acho que é o que todo artista quer, eu pelo menos um dia quero chegar lá...


GUARNIERI


Não, mas é mesmo, né?... O que a gente quer é isso mesmo... Agora, o que eu sempre incentivei é o trabalho, quer dizer, você tem de se fecundar detrabalho...


PAINEL


E quanto a isso, como é que anda o exercício da escrita?


GUARNIERI


Ainda escrevo...


PAINEL


O que hoje em dia?


 GUARNIERI


Ah eu fiquei parado agora, quase um ano... Fiquei doente e...


PAINEL


É a gente acompanhou aí pelo jornal...


GUARNIERI


Um ano aí... É meio chato, né?...


PAINEL


Muito por sua causa, eu creio piamente nessa coisa do homem da renascença, que está muito mais presente em você, até pela tua origem etc. Porque para mim o intelecto não tem limite, o que impõe limite é o tempo e o talento na minha maneira de ver. Por que que assim, dos homens da renascença, eu só enxergo assim, você e o Sérgio Ricardo? Que é pra fazer cinema, faz cinema, que é pra fazer música, faz música, que é pra fazer teatro, faz teatro, é pra pintar, pinta, desenha, trabalha como ator na TV, no teatro etc. É tão bacana isso...


GUARNIERI


É uma boa situação...O Sérgio é extraordinário...


PAINEL


Ë bacana né?... E ainda ser bem sucedido em todas!


GUARNIERI


 É o cara vai lá...E resolve...


PAINEL


E resolve! É Romário na área! Meu pai diz que você nasceu dia 6, eu digo: não é 8 de agosto e ele: não é 6 de agosto. Quem é que tem razão?


GUARNIERI


Na realidade, eu nasci dia 6 e fui registrado depois...


PAINEL


E o registro foi dia 8?. Por isso que ele tem essa informação, porque ele te conhece e a imprensa não tem. Bom, tá dirimida a dúvida. Bom, uma perguntinha idiotinha, pra encerrar, qual que é o melhor lugar do mundo para você? Em termos, os mais filosóficos possíveis e existenciais...


GUARNIERI


 É onde dê pra enfrentar, entende? Aí eu acho que é onde a gente chegue a algum lugar que quer chegar...Eu espero chegar a algum lugar...


PAINEL


Onde se faz a luta que é necessária?


GUARNIERI


É!


PAINEL


 Você espera chegar aonde?


GUARNIERI


 E eu lá sei?...Se eu soubesse...


PAINEL


Só vai em frente...


GUARNIERI


É...Isso...


PAINEL


Aí é que tá a graça, né, Guarnieri?


 GUARNIERI


É...


PAINEL


Toca em frente!


GUARNIERI


Claro, porra!...Vamo lá!


 PAINEL


É, vamo lá!


GUARNIERI


E quer saber?...Não perco o sono...


PAINEL


E abraçando gente...


GUARNIERI


Ah, sim! Vamo lá! Vamo lá! Vamimbora! E vamo rir! Vamo rir, sabe?...Vamo rir, mesmo!

 
 
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