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TIA CLOTILDE E O STOGANOV
Fonte: Tia Clotilde
Data: 13-12-2006 17:11
 
 

Tia Clotilde e o Stroganov


A noite caia tranqüila na centenária fazenda Hermitage, fundada pelo barão Carneiro Leão, sogro de tia Clotilde. Da varanda junto ao terreiro de café, onde estávamos, podia-se ver os últimos raios de sol tingindo o céu de laranja e as colinas de azul escuro.


Enquanto apreciávamos a natureza em um de seus mais belos momentos, ao acaso, conversávamos – quer dizer eu reclamava e ela ouvia.


- Imagine tia, aquela “monstra” da Camila me deu apenas 24 horas de prazo, para preparar uma estória de Natal e enviar para ela.


- Calma menino Carlos se parares de mal-falar Camila, que me é muito querida, te conto uma estória natalina e ainda de bônus ganhas uma receita.


- Trato feito tia!


- Então escutes com atenção, em São Petersburgo, na esquina da Avenida Nevski com o rio Fontanka fica o palácio dos Belossielski-Belozerski onde meu avo, na época embaixador de Portugal na Rússia, fora convidado pelo príncipe Alexandre para a ceia natalina. A ceia seria servida logo após a Missa do Galo na Catedral de São Nicolau dos Marinheiros, do qual a família era devota.


Finda a missa os convidados partiram para o palácio em suas carruagens, mas meu avô atrasou-se conversando com um homem grande de barba branca. O estranho muito simpático e vestido de vermelho, contou-lhe como certa vez conseguiu evitar a desonra das três filhas de um conde empobrecido pelo jogo. O nobre sem dinheiro para se manter e para custear o dote de casamento das filhas, premido pelos credores, estava em vias de obrigá-las a ganhar a vida como prostitutas.


Sabedor da triste situação, o senhor das barbas brancas, sem se dar a conhecer salvou as moças da ruína, atirando na janela de seus quartos, a cada noite, durante três noites, uma bolsa cheia de ouro. Assim com o ouro para o dote elas puderam se casar e abandonar o pai desnaturado a própria sorte. 


- Caro embaixador, creio que adormecestes sozinho nesta parte escura da catedral, os demais convivas do príncipe já partiram, falou alguém tocando-lhe as costas. Assustado meu avô levantou e narrou o sucedido a seu interlocutor e velho amigo, o general Pavel Alexandrovich Stroganov.


Este sorriu e retrucou:


- Embaixador, às vezes o espírito do natal realiza milagres, tu acabaste de contar-me a lenda de Santa Claus – expressão correspondente a Papai Noel – a quem é atribuída a doação de tais presentes, sendo o saco de brinquedos de Papai Noel a extensão das três bolsas de ouro. Porém, caro conde de Avellar, Santa Claus viveu a mais de mil anos.


O general e o embaixador seguiram juntos para o palácio Belossielski-Belozerski, o primeiro falando da receita surpresa que seu cozinheiro havia preparado, sob sua supervisão, para a ceia do natal; iscas de filé mignon, creme de leite, cebola, páprica, cogumelos e conhaque. E o segundo completamente atônito com a lenda de Santa Claus.


O prato fez tal sucesso na ceia, que recebeu do príncipe o nome daquele que o ofertara, STROGANOV. Muito bem menino Carlos, ai tens todos os ingredientes para uma boa estória, a escreva e envie juntamente com meus votos de um feliz natal e um grande 2007 a toda turma do Programa Painel.


É o que eu estou fazendo agora!


Para ver a receita clique o link Todagula.

 
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