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INQUIETAÇÕES
Autor: Felipe Chiarello
Data: 06-11-2006 13:08
 
 

“As vezes faço o que quero, as vezes faço o que tenho que fazer”
Charlie Brown Jr.


Passadas as eleições, podemos falar com mais tranqüilidade de política, sem ofender uns e outros. Uma dúvida que sempre vai percorrer nossas mentes neste momento tão importante da democracia é a razão do voto obrigatório.


Hoje, somente gostaria de recordar alguns fatos que sempre são esquecidos pela memória, nem sempre precisa, dos nossos cidadãos. E antes que os anos passem e a grande maioria da população esqueça em quem votou e o que comeu, achei por bem escrever algo para registrar minhas inquietações (podem ser nossas, se você concorda comigo).


Uma questão recorrente na eleição é a discussão do "donkey vote" (voto burro). Expressão criada para definir aquela situação do eleitor que vai às urnas para evitar quaisquer complicações. Ele não quer ter de pagar uma multa, ou ter dificuldade de justificar sua ausência no pleito, então vai “cumprir tabela” sem o menor compromisso e, às vezes, sem o menor constrangimento.


Considerando que tanto Lula quanto Serra (faço esse paralelo porque os dois foram eleitos) e o Ministro Marco Aurélio, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral já declararam anteriormente sua preferência pelo voto facultativo em maio de 2002 – uma das razões de perder alguns amigos é ter boa memória – penso que deveria ser um dos pontos de debate da esperada reforma política.


Renato Janine Ribeiro disse uma vez que um dos momentos mais constrangedores da obrigatoriedade do voto era aquele sentimento de ter que “provar”, como um empregado ao patrão, que você tinha feito seu “trabalho” de votar. Estou convencido de que o raciocínio é extremamente adequado, me sinto um idiota juntando todos aqueles comprovantes de votação. Onde será que guardei aquele que tinha um código de barra, da eleição retrasada?


Alguns amigos, alguns não, muitos, reclamaram da falta de opção nessas últimas eleições (fique sossegado o leitor deste artigo que foi candidato, certamente meus amigos não estavam fazendo referência ao cargo que você disputava no pleito). Uma eleição que certamente ficará em nossos corações para sempre, onde o Ministro do TST disse que a grande vencedora foi a “democracia”.


Mas, uma coisa ainda vai continuar me intrigando até o fim dos meus dias. Fernando Collor e Heloísa Helena não votaram no segundo turno. Onde estavam? Foi alguma mensagem? Talvez um sinal? Um momento de união entre a “esquerda e direita” de Bobbio, em uma mesma simbologia?


Já vivemos na era do Big Brother, quem sabe agora caminharemos a passos largos em direção à Revolução dos Bichos.


 


Felipe Chiarello de Souza Pinto é advogado, mestre e doutor pela PUC-SP em direito do Estado e autor do livro “Os Símbolos Nacionais e a Liberdade de Expressão”.


 


 


 

 
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