A Folia do meio-ingresso
Autor: Eduardo Caldeira
Categoria: Cultura
Data: 18-04-2006 0:00
 
 

Acho emocionante o desfile das escolas de samba, seja do Rio de Janeiro, Santa ou aqui da “terrinha”.


         No mundo da música, não há nada mais poderoso e alegre que uma boa bateria de escola de samba, mas... A repetição contínua de um único, e nem sempre de qualidade, samba-enredo é uma coisa muito “chata”.


         Isto me levou, há sete anos, a organizar bailes carnavalescos em recintos fechados. Para esclarecer, naquele momento ninguém investiu um “tostão furado” no nosso Carnaval, ninguém acreditava.


         Carnaval é a utopia da anarquia, na qual liberdade e responsabilidade são pessoais e intransferíveis.


         Isto passa pelo organizador do evento, e pelo folião ou carnavalesco, que, algumas vezes, briga nas ruas, ou mesmo nos salões, e que deve ter estes atos analisados dentro de um contexto onde há gente bebendo e dançando.


         Ao organizador do evento compete criar condições totais de conforto e segurança, através de medidas preventivas que evitem ocorrências policiais, algumas graves, outras nem tanto. Mas, sempre, desagradáveis.


         A banda musical e o grupo de dança devem ter qualidade. A decoração, mesmo sem suntuosidade, deve ornar o salão com um tema específico bem alegre e atual.


         As bebidas geladas e lanches rápidos, honestos, a preços acessíveis. O contingente de segurança, composto por pessoas treinadas e credenciadas pela Polícia Federal, conta, também, com paramilitares bombeiros e um pelotão da Polícia Militar, devidamente legalizado junto ao comando, como em qualquer evento público.


         Para atendimento imediato, de acordo com as normas legais, uma ambulância é colocada de prontidão, e um ambulatório médico é montado com profissionais credenciados.


Como medida preventiva, ainda, a capacidade demográfica dos salões é limitada. Oficialmente. Isto é muito bom. Tudo para que o folião de qualquer idade ou classe social, no limite de suas  manifestações humanas, senta-se seguro e respeitado.


Agora, pergunto: “Com tantos cuidados necessários, para maior e melhor organização de um evento, é justo o pagamento do meio-ingresso privilegiando algumas classes sociais?”.


Finalizando, lembro-me, muito bem, do carnavalesco Joãozinho Trinta, quando em nossa cidade para um pequeno papo (-se é que é possível pensar este personagem brasileiro participando de pequenas coisas).


Joãozinho, naquela marcante “conversa de botequim” , como convidado do nosso “Bar da Praia”, confessou que a renovação e a redenção da sua fé tinham como motor o estímulo e o consolo dos que sofrem integrados à alegria do Carnaval. E, sem hipocrisia, confessou que faz do Carnaval um meio de vida!!!


Eduardo Caldeira é empresário

 
 
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