| Crônicas Esquecidas : O Photógrapho da Praça dos Andradas (Osmar Gomes da Silva) | ||||
| Autor: Osmar Gomes da Silva | ||||
| Categoria: Cidades | ||||
| Data: 08-08-2006 0:00 | ||||
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Tram, tram...tram, tram...tram, tram! _Mazinho! Vem aqui. É para você! Saíram para pegar o bonde 5, que os deixaria próximo da Praça José Bonifácio.Lotação completa nos bancos e no estribo.Conseguiram lugar no meio do povo fantasiado.O bonde elétrico rodava lentamente nos trilhos ao som de apitos, musica carnavalesca, confetes , serpentinas, em direção ao centro.Na medida que se aproximavam o movimento aumentava e já se ouvia o som da folia, vindo do teatro. Foi aquela correria dos foliões descendo em direção ao Coliseu. O baile carnavalesco tinha ingresso livre e as famílias inteiras aproveitavam e se divertiam. Matinée infantil do Alvinegro da Vila Belmiro! Entraram, Dona Helena levando-o pelas mãos.O seu apurado sentido critico observava a arquitetura clássica italiana, colunas dóricas e interior amplo. “Hum!Removeram poltronas e o transformaram em salão de baile. Frisas, camarotes, balcões, galerias e gerais.Palco com cenários e acústica invejável, onde se apresentavam grandes companhias teatrais, orquestras sinfônicas, concertistas, Vicente Celestino, Cacilda Becker, e até aquelas conferencias do Rui Barbosa”.Agora, na decoração do cenário, figuras enormes de Momo com um largo sorriso, cetro e coroa apresentava Folias em Bagdá com a orquestra de Mario Folgado e seus Aladins. Que maravilha! Teatro democrático!” _Dona Helena! Venha para esta mesa.-Gritou Dona Creolinda. Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô Os foliões ficavam circulando em cordões, faziam rodas dançando ou paravam junto às amplas janelas do salão conversando, bebendo e recebendo o ar fresco.Outros se divertiam no balcão-varanda com vista para a Catedral e a praça. Ali estavam as tradicionais barraquinhas que vendiam máscaras carnavalescas, confeti, serpentinas e lança-perfume. Do outro lado: carrinho de pastéis e garapa , barracas com limonada, groselha e sanduíches de queijo com presunto.Bem!... mais ela sempre tinha o cuidado de levar um pedaço de pão sovado com carne assada que ele comia na saída do baile. _Vó!Quero ir embora!Vamos tirar fotografia? Ele respondeu com a boca cheia balançando a cabeça e ela enxugando-o com o lenço onde levava amarradas as moedas da condução.Era só carinho. Naquele tempo as crianças se fantasiavam, todos se fantasiavam. A cidade vivia os três dias de Momo nas ruas e nos clubes. _Venham!Venham!Fotos na hora!Venham! Virava pra ele. Ficava tonto sem saber pra onde olhar. O passarinho, a vó ou a mão do fotógrafo. O fotógrafo voltou a cobrir a cabeça. _Venham!Venham!Fotos na hora!Venham! Osmar Gomes da Silva é escritor, autor de “Rumo ao Paraíso e outras Histórias” |
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