| A Baixada Santista merece respeito | ||||
| Autor: Adelino Rodrigues | ||||
| Categoria: Cidades | ||||
| Data: 23-05-2006 0:00 | ||||
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Um mínimo de coerência: eis o que se deve exigir de qualquer homem público. O homem público deve obrigatoriamente ter a decência de tratar a sociedade com dignidade, sempre. Pois esta dignidade básica e fundamental não permite mentiras deslavadas nem subterfúgios destinados a enganar a boa fé da população. No dia 11 de abril, em artigo publicado em A Tribuna, o Secretário de Transportes Metropolitanos do Estado, Jurandir Freire, relaciona os altíssimos investimentos que impulsionam o Metrô de São Paulo. Escreve como quem está tentando convencer a todos que é um homem sério. O que não está escrito, mas fica evidente, é que o Secretário não tem o menor respeito para com a Baixada Santista. Fica patente que não pensa em momento algum em honrar a promessa feita pelo grande Mário Covas, que se comprometeu a instalar aqui o Veículo Leve sobre Trilhos, para substituir o saudoso Trem Intra Metropolitano. Pois bem: ficamos sem o TIM e sem o VLT. Bonito isso ? Enquanto estive ocupando durante vinte e dois anos uma cadeira na Câmara Municipal de Santos, presidi a Comissão Especial de Vereadores que lutava pelo VLT. Em vários momentos recebi a garantia de que o projeto seria iniciado logo. Não foi. São Paulo merece todos os esforços possíveis para que o Metrô seja ampliado. Mas quando se trata da necessidade da população da Baixada, o comportamento é bem diferente. Não é a primeira vez que o Secretário Freire usa falácias em forma de um pretenso argumento. O VLT não foi instalado até hoje, sete anos após o apressado e impensado fim do TIM. Para completar, surge o discurso enganoso de que o ideal é um Veículo Leve sobre .... Pneus! A opção obstinada porém obtusa pelo transporte rodoviário tem ensinado amargas lições ao País. Abandonamos o sistema ferroviário e acabamos saindo dos trilhos, literalmente, Na verdade, perdemos nosso próprio eixo. Mas o Secretário Freire quer convencer toda uma população que o transporte rodoviário é mais barato. Resta perguntar: barato para quem, cara sempre pálida ? No artigo citado, o Secretário cai em sua própria armadilha feita de palavras contraditórias: com orgulho, diz que o Estado destinou mais de R$ 550 milhões aos sistemas sobre trilhos da Região Metropolitana de São Paulo. Mas não revela que nenhum centavo foi investido no VLT da Baixada, apesar do compromisso e das promessas. Sim, porque o dinheiro da venda da área da antiga Sorocabana, na Avenida Ana Costa, era assim como uma verba carimbada, tinha destino certo: seria o recurso necessário para se dar início ao VLT. O que será que foi feito desse dinheiro? Mas como o Secretário Freire só consegue enxergar pneus rodando sem parar e enriquecendo ainda mais um sistema ultrapassado e uma política canhestra em termos de transportes, não consegue ter uma pequena noção do que representa de fato para a Baixada Santista um sistema moderno como o VLT. Talvez seja falta de visão social ou de sensibilidade, sabe-se lá. A população da nossa Região merece o VLT tanto quanto o povo de São Paulo merece o Metrô. Mas teimosamente este direito não é reconhecido. Enquanto isso, centenas de milhares de sofridos e carentes trabalhadores continuam sendo sacrificados, sem o direito a um transporte moderno, rápido e eficiente. Não adianta nada o Secretário vir a público, insistentemente, defender os seus pneus. Nem jogar com números que, na realidade, não se sustentam, porque não se leva em conta o custo a longo prazo. Basta dizer que hoje, em todo o Brasil, a falta de dinheiro para a manutenção das estradas é uma das principais reclamações da população. Aí, não existe conta que justifique tamanho desrespeito para com a população da Baixada Santista. Uma população que merece e precisa de condições de vida em nível mais elevado. Condições que começam exatamente pela questão do transporte. Falando claro, é preciso dizer com todas as letras que, além de coerência e honestidade de propósitos, a Baixada Santista exige o seu direito a um futuro melhor. Futuro que as declarações e os escritos do Secretário teimam em negar.
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